RESUMISMO

Olhando pro teto

No Introdução ao Cristianismo, diz o Ratzinger (o Papa Bento XVI) que, se o crente sente por vezes o peso da dúvida contra a fé, o descrente sente o peso igual de um inevitável “e talvez seja verdade”.


Aliás, acho que isso explica por que tanta gente que nem tem religião se sente tão ofendida quando alguém afirma uma doutrina. Se fulano não acredita, não deveria se importar, mas esse é o pulo do gato: ele já duvidou do materialismo, foi pego no dilema da fé, e agora o “talvez” o persegue. As partes da doutrina que o incomodam tocam esse nervo inflamado por meio dos pecados que ele não quer abandonar.

Diante do “talvez” só restam duas opções: aceitar ou ignorar completamente o assunto, se não o sujeito fica aí caçando briga e passando raiva à toa.


Às vezes fico me imaginando tendo discussões teológicas no BBB. Tenho que parar com isso.


Outra imagem interessante do livro é a do crente representado como amarrado a uma cruz que paira sobre o abismo. A dúvida, que é inevitável na vida do cristão, traz sempre consigo a ameaça de lançá-lo para o Nada.


Até hoje não entendo direito o que é “sentir o Espírito Santo”. Divago sobre se isso é falta minha ou da RCC, não que eu ache “sentimento” um negócio muito relevante em matéria de fé, e acho que o Papa concordaria comigo.


Noutra passagem:

A fé propõe um modo diferente de ver e agir no mundo, um “ser-estar”, em oposição ao “fazer” do paradigma científico-materialista. As coisas são entendidas e consideradas em si mesmas em vez de em função de sua possível utilidade.

Mal terminei (ou entendi totalmente) o primeiro capítulo, mas tem sido uma leitura extremamente interessante.


Lembro que nos anos 10 muitas meninas tinham aneroxia e se cortavam. Foi também a época da baleia azul, do Maicon Küster depressivo e daquela série da Netflix, os Treze Porquês. Assunto sério, os padrões de beleza inatingíveis, o bullying, a depressão; era discutido na televisão e tudo, a mesma que exibia a “Globeleza” seminua nos intervalos.

Hoje, algumas meninas tiram os peitos e tomam hormônio masculino, outras tantas colocam piercing no septo e pintam o cabelo com cores de sapo tóxico, e se declaram bissexuais; os meninos também, mais ou menos, mas todos incentivados e celebrados pela nova televisão.

Ouvi não sei quando nem onde que, no período do romantismo, muitas e muitos idealizavam sofrer uma grande angústia, almejavam morrer por amor ou coisa do tipo. Eram uma espécie de emo do séc. XIX. Eu bem que poderia pesquisar as modas nocivas de outras épocas, mas em todas parece estar implícita a conclusão: adolescente é tudo igual.


Vigiar e punir: gostoso demais

Ô meme que envelheceu mal.


De ressentimento em ressentimento nasce uma ideologia maluca. Já percebeu o quanto redpills e feministas se assemelham em amargura? (ui, rimou)


Usando um linguajar mais, digamos, fanfiqueiro, admito: eu shipo Nikolas Ferreira e Érika Hilton. Combinam em tudo. Aguardo ansiosamente o final do arco enemies to lovers desses dois.


Outro dia no Mastodon alguém disse que é impossível ser de esquerda e não aceitar que mulheres trans são mulheres, no meu entender, no sentido mais literal possível: X é Y (ou melhor, Y é X), tipo uma afirmação metafísica.

Rapaz, a barreira de entrada tá alta, em?


Ok, admito que estou um bocado turbotecnomachonazifascista hoje. Não leve a mal, é o pós-operatório dos sisos.


Já adquiri um pacotinho de miojo para o caso de eu ser processado por esses textos bobos. A receita é pequenininha, vai ficar quase do mesmo tamanho das partes censuradas.


Ficar pensando nesses assuntos é sinal de que estou passando tempo demais na internet. Enquanto me debato, faz um inverninho agradável lá fora, o ruído branco da chuva batendo nos telhados, um pássaro cujo nome não sei canta um lamento deprimido e engraçado. Um livro convida à leitura. Basta resistir por um minuto pra escapar da teia do celular.


Mas só mais um pouquinho, preciso monitorar a situação.


Com essa guerra no Oriente Médio, quem tem carro elétrico deve estar rindo à toa. Mas só até a próxima visita ao mercado.


E o Construa Seus Sonhos, em, é um carro ou um smartphone gigante?


O Catecismo, aquele amarelinho simpático, tem uma escrita erudita e simples ao mesmo tempo. É um dos melhores livros que já li. Poderia ter lido mais hoje se o celular não tivesse ganhado.


O youtuber de minimalismo digital que tem tocador de mp3, videogame portátil, Kindle, relógio Casio, tablet e-ink com caneta, conta no Obsidian, no Notion e no Norton, tocador de DVD, tocador de CD, tocador de fita, tocador de fita cassete, Super Nintendo original, PlayStation 2, TV de tubo, esperto-TV, esperto-lâmpadas, rede Wi-Fi mesh com três repetidores e um roteador, um servidor com dez aplicações self-hosted, e dois thinkpads rodando Arch Linux, mas que concede pesaroso ao pecado de ter um MacBook Pro, pra edição de vídeo.


Resolvi testar esse estilo de textinhos avulsos inspirado pelas crônicas do Orlando Tosetto. Vai lá ler, o homi é bom demais.


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